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A legalização do desmanche de veículos e o seguro auto

A legalização do desmanche de veículos cria um cenário favorável para o seguro de automóveisÉ provável a diminuição de furtos, o que poderá baixar em até 30% o preço das apólices.

O autor discute como a lei que regulariza o desmanche de veículos pode reduzir os roubos e aumentar a venda dos seguros populares, permitindo o uso de peças recondicionadas.

A possibilidade de utilizar peças de segunda mão de forma legal pode oferecer uma esperança de redução dos roubos de veículos. A média anual de veículos roubados no Brasil chega a 420 mil, equivalente a 48 automóveis por hora ou 1150 por dia, um número assustador. Apenas metade desses veículos é recuperada e o restante desaparece nos desmanches clandestinos.

As estatísticas demonstram ainda que o número de veículos roubados vem crescendo. Em 2014 a taxa de aumento foi de 10%. A realidade é que as quadrilhas especializadas alimentam o mercado negro de peças usadas e são abastecidas pelas oficinas de desmontagem.  O autor mostra como esse fato vem elevando os índices de sinistralidade das seguradoras, com aumento do desembolso das indenizações e consequente aumento do valor do seguro para os motoristas.

Lei do desmanche pode diminuir roubos e furtos de veículos

A FenSeg – Federação Nacional de Seguros Gerais, prevê que o combate à clandestinidade dos desmanches reduzirá o índice de roubos e furtos e os resultados serão positivos para o mercado de seguros. Isso seria conseguido pela Lei do Desmanche, sancionada em 2014 e que deve estar regulamentada em 2015.  No Estado de São Paulo, onde uma lei estadual já é vigente, foi registrado um ritmo menor nos roubos, depois do fechamento de 770 desmanches ilegais de veículos.

O que é destacado no artigo é a importância da fiscalização eficiente, pois se a lei federal é importante, nada será conseguido sem a fiscalização. Segundo a legislação, haverá destinação de peças de veículos para reposição ou sucata. As peças usadas e recondicionadas terão origem certificada e rastreada, podendo ser então utilizadas regularmente para o reparo de automóveis mais antigos. As seguradoras, que até hoje só podem utilizar peças novas e originais de fábrica, poderão utilizar as peças usadas certificadas, o que tornará mais barato o valor do seguro.

Seguro popular é boa opção para proteger o carro

O seguro popular, mais acessível, é destinado a automóveis usados, cujos proprietários não tem como arcar com o custo dos seguros, que pesam no orçamento. O seguro popular, com um menor custo previsto para os reparos visa atender a novos consumidores, ampliando o mercado de seguros.

Nos últimos oito anos, segundo a seguradora SulAmérica, um novo consumidor passou a contratar seguros. O consumidor das classes populares, que se beneficiou da ascensão social e oferta de crédito, adquiriu seguro para o seu carro zero. Entretanto, nos últimos anos a permanência média com o seguro diminuiu, de 3,5 anos para 2,8 anos. Somente um produto popular, com barateamento do seguro, em virtude do uso de peças de segunda mão no reparo de veículos, poderia conquistar um novo contingente de consumidores para as carteiras das seguradoras.

Atualmente apenas 30% da frota brasileira, de 16 milhões de veículos, é protegida por seguro. Com o barateamento do seguro popular a perspectiva é de se conseguir uma apólice até 30% mais econômica, beneficiando o mercado. Entretanto, o desenvolvimento do mercado de seguro popular com base na disponibilidade de peças de segunda mão vai depender de um adequado e mais amplo processo de distribuição logística para o país, segundo a diretoria geral de seguros de automóvel do grupo BB e Mapfre.

Desafio do cenário econômico em 2015

O desafio no entanto, está no cenário econômico de 2015, quando o ambiente de retração do mercado, o aumento dos juros, que encarecem os financiamento e a queda nas vendas de carros novos, afetam a atividade das seguradoras. Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, a Anfavea, no primeiro trimestre de 2015 as vendas de veículos novos sofreram uma retração de 17% e a para o ano a queda prevista nas vendas é de 12,3%.

O que pode animar o mercado de seguros, no entanto, é que ainda uma grande frota de veículos novos está entrando no mercado. Existem também os veículos seminovos, que continuam mantendo a atividade. Uma alternativa para seguros populares também vem sendo mantida pelo Bradesco, com a oferta de um produto econômico que cobre o sinistro de terceiros e aceita veículos com até 15 anos de uso.

Desde 2014, com o grande aumento de furto de veículos e com o custo das peças de reparo, afetados pela inflação, as seguradoras reajustaram seus preços entre 8% e 10% e em alguns casos em 15%. Com a mudança no mercado em decorrência da queda nas vendas e com a regulamentação da lei do desmanche, os preços de 2015 devem acompanhar as condições de mercado e tendem a baixar.

Com a estagnação que atinge a indústria automobilística brasileira em 2015 e seu efeito sobre os setores que dela dependem, espera-se que o setor de seguros ainda encontre espaço para se manter em expansão e com competitividade para atender os consumidores que buscam a proteção do seguro para seu automóvel.

Artigo: Desmanche legal cria um novo nicho – Felipe Datt – Revista Valor Econômico, edição especial, maio 2015.

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Comentários

Gleice - 27 de agosto de 2015 às 16:56

Ótimo artigo!! …. :)

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