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Aumento do pedágio e segurança nas estradas: essa equação funciona?

Aumento do pedágio e segurança nas estradas: essa equação funciona ou o pedágio aumenta enquanto a segurança está cada dia pior?

Se tem uma coisa que os motoristas que pegam estradas têm de enfrentar são os pedágios, porém nem sempre o valor pago corresponde a qualidade das estradas. Apesar disso, é frequente que haja o reajuste de valores e cada vez mais a tendência é que os preços aumentem.

Para se ter uma ideia desses reajustes, recentemente a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aprovou o reajuste de valores de um trecho da BR-040 que vai de juiz de fora a Petrópolis. A porcentagem aplicada foi de 12,5% e agora realizar esse trajeto custará R$ 37,80 para carros de passeio.

Já as motos, para percorrerem esse trecho, deverão desembolsar R$ 18,90 e caminhões de dois eixos ou ônibus R$ 75,60. Quem acha que os valores estão altos e que o reajuste foi bastante elevado, vale lembrar que em 2015 o percentual aplicado foi ainda maior, de 24,44%.

O mesmo ocorre em outras praças de pedágio. Veja alguns reajustes realizados esse ano:

  • Rodovia Anhanguera, em Perus – 9,09%
  • Castello Branco, em Osasco – 7,5%
  • Rodovia dos Imigrantes e Anchieta (trecho capital –Baixada Santista) – 8,73%
  • Rodovia Presidente Dutra – 8,08%
  • BR-163 – 8,74%
  • BR-040 – 4,16%

 

Aumento do pedágio e segurança nas estradas: essa equação funciona?

Como o dinheiro do pedágio é aplicado

Quando se paga o pedágio, o dinheiro deve ser usado para realizar melhorias nas estradas. Hoje, boa parte das estradas são administradas por empresas privadas e, nesse caso, cabe a elas realizarem essas mudanças.

O valor é calculado levando em consideração diversos fatores – como o custo para a manutenção do asfalto, atendimento, carga tributária, fluxo de veículos e outros. Essas variáveis fazem com que cada praça de pedágio tenha valores diferentes. Inclusive, na mesma rodovia, diferentes praças podem ter um valor diferenciado.

Todas as obras que forem realizadas em uma rodovia devem ser feitas com o dinheiro arrecadado pelo pedágio. Quando se constrói uma nova passarela, faz-se recapeamento na pista, ou o serviço de socorro é acionado: tudo isso é resultado do pedágio.

É claro que, em alguns casos, mesmo o pedágio sendo elevado, o serviço prestado não é o melhor, porém isso vai depender também da forma como os recursos são administrados.

A situação das estradas

Apesar dos valores elevados dos pedágios, nem sempre as condições das estradas são consideradas boas. Porém, em alguns lugares é possível perceber que os valores pagos são bem investidos, com estradas em ótimas condições de rodagem e que oferecem segurança.

Você já viu um texto que fizemos sobre as melhores e piores estradas do Brasil? Então confira quais são!

A Pesquisa CNT de Rodovias 2015 fez um levantamento e classificou diversas estradas do país. Enquanto algumas receberam ótima avaliação, outras são consideradas quase que intransitáveis.

A Rodovia Anhanguera que foi uma das que apresentou um dos maiores reajustes, porém a sua avaliação geral foi “ótima”. Isso comprova que o valor pago está sendo bem investido.

A BR-040, que teve o menor reajuste, foi considerada “bom”, sendo assim, mesmo o valor do reajuste sendo baixo ela tem boas condições de tráfego.

Quando avaliadas por regiões é possível perceber essa diferença em relação as condições gerais. Veja um comparativo do que predomina em cada região:

  • Norte – Regular (40,9%)
  • Nordeste – Bom (37,3%)
  • Sudeste – Bom (29,8%)
  • Sul – Regular (41,6%)
  • Centro-Oeste – Regular (37,2%)

As regiões que mais preocupam são a Norte e a Sul com boa parte das estradas em uma situação regular, demonstrando que ainda existe muito a ser feito. Porém, não significa que não há muito a ser melhorado em todas as regiões, ainda estamos longe de conseguir uma boa classificação.

As estradas pelo mundo

Em outros países é possível encontrar estradas em melhores ou piores situações. Fazendo uma comparação com alguns países da América do Sul, percebemos que o Brasil não está bem colocado.

Com uma nota que varia de 1 a 7, sendo 1 utilizada para estradas extremamente subdesenvolvidas e 7 para as eficientes, o Brasil ficou atrás de muitos países com uma nota média de 2,7. Veja um comparativo.

  • Chile – 4,0
  • Uruguai – 3,3
  • Argentina – 3,1
  • Bolívia – 3,1
  • Peru – 3,0
  • Brasil – 2,7

Quando a análise é feita de forma global, ficam claras as condições ruins das estradas brasileiras. De 140 países analisados, o Brasil ficou em 121ª posição.

Como funciona o pedágio em outros países

A cobrança do pedágio em muitos lugares do mundo não ocorre da mesma forma como no Brasil, sendo um pouco diferente.

Na França, o valor é cobrado de acordo com a quilometragem percorrida. Assim, ao entrar na estrada, a pessoa recebe um ticket que deverá ser apresentado ao final dela. Há também a possibilidade desse cálculo ser feito por um chip instalado no veículo.

Na Espanha e Itália, a cobrança é parecida, mas também tem a opção de pagar o valor, independentemente da quilometragem. Nos Estados Unidos, também são usados os dois sistemas, porém não há um padrão para todo o país.

Na Áustria, República Tcheca, Hungria e Suíça, pedágios não existem, porém é preciso pagar uma taxa para poder circular nas rodovias. Para comprovar que o valor foi pago, o carro recebe um adesivo, e se resolver burlar esse procedimento, pode receber multas bem elevadas.

E por falar em multas elevadas, você viu como ficou o reajuste das multas no Brasil?

Na Alemanha e na Finlândia, uma boa notícia, não existem pedágios, mas ao pagar os impostos já se está contribuindo com a melhoria das estradas.

Porém, não é somente a forma de cobrança que varia de um lugar para outro, o preço também. Para se ter uma ideia, viajar pelo Brasil custa o dobro do valor do que viajar pelos Estados Unidos. Por lá, inclusive, dependendo do trajeto, é possível não ter nenhum custo com o pedágio.

Um levantamento feito em 2013 comparou os valores dos pedágios em alguns países da América do Sul. O custo médio faz com que o Brasil fique em segundo colocado, porém com tantos reajustes já efetuados desde o levantamento, hoje o cenário pode ser bem diferente.

  • 1º Chile – 3.92 dólares
  • 2º Brasil – 3.65 dólares
  • 3º Colômbia – 3.13 dólares
  • 4º Uruguai – 3.06 dólares
  • 5º Peru – 2.20 dólares

O Brasil é um dos países que tem o maior custo de pedágio do mundo e, como pudermos ver, as condições das estradas não estão nada boas. Será que estamos pagando um preço justo? Como acha que deveria ser feito um controle melhor para que as estradas estejam mais seguras?

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