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Ciclistas e pedestres seguem sendo atropelados nas estradas

Mais um acidente criminoso aconteceu na estrada, quando um ciclista foi morto, atropelado por um motorista embriagado.

Mais um acidente criminoso aconteceu no dia 9 de outubro deste ano, em São José dos Pinhais (PR), próximo a Curitiba, quando o engenheiro Eduardo Antonio, de 43 anos e dois de seus amigos ciclistas, praticantes de triátlon, foram atropelados por um Corsa, cujo motorista estava bêbado. O veículo invadiu o acostamento e vitimou o grupo de cinco ciclistas, que estava com todo o equipamento de segurança, como roupas coloridas e capacetes, o que não impediu que ficassem gravemente feridos.

Eduardo Antonio foi levado às pressas para o hospital, mas não resistiu aos ferimentos. Dois dos ciclistas tiveram ferimentos, sem risco de morte e dois ciclistas conseguiram sair ilesos.  Eduardo Antonio tinha 43 anos, era casado e deixou uma filha de 6 anos.

Ciclistas e pedestres seguem sendo atropelados nas estradas

O exame de bafômetro a que o motorista se submeteu acusou uma dosagem de 0,5 mg/L de álcool no sangue, segundo informou a Polícia Rodoviária Federal. Essa quantidade configura crime de trânsito. Relatos de testemunhas informaram que ele trafegava em velocidade bem acima da permitida, a 140 km/h, e que havia muitas latas de cerveja dentro do carro. As pessoas que tentaram socorrer as vítimas viram quando algumas latas foram arremessadas para fora do carro e ficaram revoltadas.

Na estrada, o perigo é ser atropelado!

Já está comprovado pelas estatísticas, 1 entre cada 3 mortes que acontecem por acidentes na estrada é devido a atropelamento.

Pesquisa feita pela concessionária Arteris, administradora de 21 rodovias no estado de São Paulo, entre elas a Fernão Dias e a Régis Bittencourt, apontou que os atropelamentos acontecem à noite.

Na estrada, o perigo é ser atropelado!

Imagem: Noticias.uol

Foram registrados 19.164 acidentes entre janeiro e julho, com um total de 361 vítimas fatais. Os atropelamentos que fazem parte do estudo aconteceram somente nas estradas de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina. Representam 32% das mortes nessas estradas.

Os acidentes com pedestres e ciclistas são a minoria no total de acidentes nas estradas, quando se considera colisões, capotamentos, etc., entretanto, quando acontecem são fatais, sempre muito graves. As vítimas estão em situação de total vulnerabilidade frente aos veículos.

A Arteris informou que 28% das vítimas é constituída de pedestres e 4% de ciclistas. Esse percentual é pequeno, porque é apenas de ciclistas que não estavam pedalando no momento do acidente, porque, no caso de estar montados na bicicleta, o acidente passa a ser classificado como “colisão traseira” e aí a estatística de mortes sobe para 16%.

Os atropelamentos de ciclistas e pedestres estão relacionados com o comportamento dos motoristas, muitas vezes alcoolizados, que trafegam com excesso de velocidade ou invadem o acostamento. Por isso, para o pedestre, usar o acostamento de uma estrada é extremamente perigoso. Onde for possível deve-se usar a passarela ou calçada.

O levantamento realizado pela Arteris mostrou que 61% das mortes são provocadas por carros e 53,7% por motocicletas, ou seja, os dois tipos de veículos oferecem perigo para os pedestres e ciclistas. E a  maioria dos casos acontece à noite, entre as 18hs e as 6:00hs, quando há diminuição de visibilidade, motoristas sonolentos e cansados, ou ainda que ingeriram bebida alcoólica. A maior parte das vítimas tem entre 35 a 44 anos de idade e um pequeno percentual, de 5%, é de menores de idade. Ainda segundo a pesquisa, 22% dos mortos por atropelamento nas estradas são andarilhos.

A fiscalização poderia mudar os números da violência nas estradas

Imagem: Estadao

A fiscalização poderia mudar os números da violência nas estradas

O número de acidentes nas rodovias poderia ser reduzido se a fiscalização fosse intensiva. Segundo a direção da Arteris, a fiscalização deveria contar com muito mais recursos e contingente de funcionários especializados, porque o que realmente intimida os motoristas são as blitz constantes nas estradas e a possibilidade efetiva de ser multado, processado e até preso.

Pedalar na estrada – será que é seguro?

O governo não tem um programa para a correta implementação das ciclovias em rodovias. Como até agora a quantidade de ciclistas ainda é pequena, um sistema mais caro que poderia ser instalado não passa a ser prioridade. Enquanto isso, os ciclistas trafegam no acostamento das estradas, o que não é seguro, mas o fato de não ser seguro acaba por fazer com que o número de ciclistas continue indefinidamente a ser baixo. Na verdade, conforme salientou Daniel Guth, diretor-geral da Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo, a Ciclocidade, a criação de infraestrutura nas estradas para os ciclistas está prevista na legislação, que prevê a criação de um planejamento cicloviário.

Mesmo quando está em grupo, o ciclista corre perigo na estrada. Em março deste ano, um grupo de seis ciclistas saiu de Capivari, no interior paulista, rumo a Pirapora do Bom Jesus (SP), tradicional centro de romaria. O grupo pedalava na Estrada dos Romeiros, ou Estrada do Parque. Na altura de Itu, foram atingidos por uma caminhonete, que invadiu a pista contrária. Um dos ciclistas morreu e outros três ficaram feridos.

O acidente aconteceu durante a madrugada e o motorista confessou que dormiu ao volante. Depois de ser levado para a delegacia, foi preso pela morte do ciclista e sua fiança foi arbitrada em R$ 3 mil. Além da vítima fatal, dois outros ciclistas foram internados em estado grave.

Pode-se concluir que, mesmo grupos organizados que pedalam nas rodovias, não estão em situação 100% segura. Até mesmo com equipamentos completos, carros de apoio e acompanhamento de equipes, estão sujeitos a acidentes brutais, causados por motoristas descuidados e que se comportam de maneira criminosa ao volante.

Além da necessidade de instalação de infraestrutura de segurança para ciclistas e pedestres nas estradas, é urgente que os motoristas sejam mais conscientes e cuidadosos. A fiscalização das leis de trânsito deve ser constante e rigorosa e os crimes devem ser punidos imediatamente, sem que fianças irrisórias e injustas ponham em liberdade aqueles que feriram e tiraram a vida, o que só estimula o sentimento de impunidade.

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