dcsimg

Greve de caminhoneiros bloqueia as rodovias brasileiras

Aumento dos custos com combustível e pedágio não vem sendo compensado pelo preço do frete, alegam os caminhoneiros.

Os protestos foram iniciados no Paraná, a partir do dia 13 de fevereiro de 2015, no mesmo ato em que professores se mobilizaram contra cortes de gastos que prejudicavam direitos adquiridos da categoria. A partir desse momento a manifestação passou a acontecer em outros estados e parece não ter um comando centralizado. Em cada região o movimento se comporta de forma diferente.

caminhoneiro

O ponto comum das manifestações é a recusa em aceitar o aumento do óleo diesel, que vem pesando cada vez mais na contabilidade dos transportadores, já que, segundo eles, o preço do frete está baixo e não cobre os custos. Além disso, as manifestações também são contra os preços dos pedágios.

O preço do óleo diesel, em janeiro de 2015 subiu R$0,15 por litro e esse foi o principal motivo para o início das manifestações. A elevação do preço é parte das medidas de reajuste praticadas pela equipe econômica do governo, que pretende conseguir R$20,6 bilhões de arrecadação elevando as alíquotas do PIS/Cofins e Cide no preço dos combustíveis.

A Federação dos Caminhoneiros de São Paulo informou que o lucro dos caminhoneiros teve uma queda nos últimos meses, porque aumentaram os custos com manutenção dos veículos. Os contratos não acompanharam esses custos e vêm sendo afetados com o aumento da safra agrícola, o que sobrecarrega os transportadores que mantém o mesmo número de caminhões. Os caminhoneiros desejam que seja estabelecida uma planilha nacional para o preço do frete, que sirva de referência para os contratos.

Atualmente existem planilhas que são estabelecidas pelas transportadoras, mas que, segundo a ABCAM, Associação Brasileira de Caminhoneiros, pode estabelecer um cartel entre elas pressionando os preços do frete. A planilha nacional que o movimento deseja deve especificar os custos de combustíveis, pneus e manutenção. O resultado seria um cálculo mais preciso do valor do frete, considerando o preço da tonelada do produto e os quilômetros rodados.

Um outro motivo alegado para a paralisação é o preço do pedágio nas rodovias, que muitas vezes não está incluído no frete. Há lei do Vale-Pedágio Obrigatório, que determina que o pedágio deve ser feito por quem contrata o frete e não pelo caminhoneiro, mas a mesma não vem sendo cumprida com rigor.

Em uma semana de mobilização nacional, foram registradas paralisações de caminhoneiros em 14 estados do país.

O movimento continua no início de março

O mês de março começou com rodovias federais e estaduais bloqueadas no Rio Grande do Sul. No estado eram 21 os trechos onde ocorriam manifestações. Os protestos dos caminhoneiros no sul do Brasil continuam a pedir que o governo intervenha para baixar o preço do óleo diesel e os custos do frete, além de melhorar as condições nas estradas.

Apesar de no dia 1º. de março, um domingo, não terem sido registrados bloqueios nas estradas, na segunda feira os manifestantes voltaram a ocupar as pistas. O governo federal já determinou que aumentará o policiamento nas estradas para que a decisão judicial que determina a liberação das rodovias seja cumprida.

Para alguns analistas, a paralisação dos caminhoneiros mostra indícios de locaute, que é a prática criminosa e proibida por lei que tem como objetivo impedir a negociação ou o atendimento de trabalhadores durante uma greve.

Apesar do governo ter conseguido na Justiça a decisão para que sejam liberadas as rodovias federais, os bloqueios continuaram. A decisão se refere às rodovias federais e não atinge as estaduais, onde se concentram agora os protestos. As multas fixadas variam de R$1.000 a R$50.000 por hora em que os manifestantes mantiverem o bloqueio.

Com a continuidade do movimento muitas regiões estão tendo o abastecimento de supermercados e postos de gasolina afetados, além de prejuízo na produção de laticínios e automóveis.

A negociação com o governo

O governo já adiantou que não vai voltar atrás no reajuste do combustível, argumentando que durante o exercício de 2014 não houve aumento e os preços estão defasados para cobrir os custos de produção. Segundo o ministro Miguel Rossetto, da Secretaria Geral, não está na pauta do governo reduzir o preço do óleo diesel. Num ano de reajustes fiscais, para enfrentar a inflação e o déficit na balança comercial, dificilmente o governo voltará atrás na sua decisão de aumentar os preços dos combustíveis.

Faça a cotação do seu seguro auto online!
Qual é a marca do seu carro?

As negociações que ocorreram foram entre o governo e os sindicatos e associações de caminhoneiros. A proposta apresentada pelo governo foi de congelamento do atual preço do óleo diesel pelos próximos seis meses, facilidades para financiamento de caminhões e a promulgação da Lei do Caminhoneiro, que regulamenta a profissão e concede benefícios à categoria. Além disso, empresários e caminhoneiros deverão elaborar uma tabela para os preços dos fretes. Em troca os caminhoneiros deveriam liberar imediatamente as rodovias.

A maioria dos representantes dos caminhoneiros aceitou a proposta do governo, mas os bloqueios continuam em diversas estradas do país, organizados pelo Comando Nacional do Transporte, que não aceitou a proposta. Muitos manifestantes não reconhecem a legitimidade de quem negociou o fim da interdição.

Lei dos Caminhoneiros

A presidente Dilma Rousseff sancionou no dia 2 de março a Lei dos Caminhoneiros, com o objetivo de atender ao protesto dos caminhoneiros, que já dura duas semanas. A proposta de lei havia sido aprovada pelo Congresso e era uma antiga reivindicação dos próprios motoristas. Com a regulamentação, a jornada de trabalho poderá ser de doze horas por dia e o período máximo ao volante passa de quatro horas para cinco horas e meia. O tempo de descanso fica por conta do motorista ou transportadora e as multas por excesso de peso por conta dos contratantes da carga. Caminhões vazios passam a ser isentos do pagamento do pedágio dos eixos que estiverem suspensos.

Artigos relacionados:

Comentários

Sem comentários. Seja o primeiro a responder!

Postar um comentário