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Pandemia: o setor automobilístico vai se recuperar?

Com muitas pequenas e médias empresas fornecedoras indo à falência em virtude da quarentena imposta pelo coronavírus, a indústria automobilística terá dificuldades em se recuperar.

O presidente da FCA Fiat Chrysler América Latina, Antonio Filosa, declarou que haverá uma forte queda na demanda do setor até o quarto trimestre deste ano. O executivo se declarou surpreendido pela pandemia do novo coronavírus, que zerou as vendas da empresa.

Os empregos na montadora estão garantidos até pelo menos novembro, como forma de atravessar a crise, mas a situação que mais preocupa é a cadeia de fornecimento.

Segundo ele, os fornecedores, sobretudo pequenos e médios, estão em processo de falência. Não se trata somente de perder empregos, o que já seria dramático, mas é desastroso perder parte da cadeia. Existem pouquíssimas capazes desses fornecedores conseguirem resistir depois de junho.

Pandemia: o setor automobilístico vai se recuperar?

Imagem: Pxhere

A previsão é de 20 mil demissões na cadeia de fornecedores

Com a queda nas vendas de veículos no 2º trimestre é estimada em 37%, as fábricas estão paradas e por efeito dominó, os fornecedores estão prevendo 20 mil demissões.

As notícias para o setor automobilístico são ruins. A começar pelo fechamento de fábricas de fornecedores chineses em janeiro e fevereiro. Depois disso, aconteceu a paralisação das linhas de montagem de automóveis no Brasil. De acordo com o Sindipeças, sindicato que reúne as empresas do setor, a pandemia da COVID-19 atingiu fortemente os fornecedores e derrubou a produção.

Poucas empresas continuaram operando em cerca de 20% a 30% da sua plena capacidade. Na primeira semana de abril, as vendas de automóveis desabaram 80% e a expectativa era de continuidade da queda nos próximos meses. 

indústria automobilística na pandemia

Imagem: Pxhere.

Alguns especialistas no setor acreditam que o impacto na cadeia de fornecimento é muito maior. O diretor da Bright Consulting, Paulo Cardamone, declarou que os efeitos da pandemia no setor automobilístico indicam que o mercado vai demorar três anos para retomar os altos níveis de vendas dos anos anteriores.

O ano passado foram negociadas 2.665.583 unidades. Para o consultor, em 2020, as vendas não passarão de 2,3 milhões de unidades. A perspectiva é de que essa número suba para 2,547 milhões em 2021 e 2,738 milhões em 2022.

O consultor Cardamone vê com preocupação a situação de pequenas e médias empresas que, levarão ao adiamento das compras de veículos, como resultado da perda de renda das famílias e menor utilização de seus veículos durante o período de quarentena.

A queda das vendas no primeiro semestre, segundo ele, deverá resultar na redução de aproximadamente 10 mil empregos nas montadoras e de 20 mil posições nas empresas de autopeças. Na rede de distribuição formada pelas concessionárias é provável uma redução de 30%.

Os impactos econômicos na cadeia automobilística costumam provocar o que é chamado de “efeito dominó”, isto é, com a redução das vendas de carros, há menos produção de peças e mais efeitos indiretos.

Pandemia: o setor automobilístico vai se recuperar?

Imagem: Pxhere

Efeitos incalculáveis

O presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Júnior, comentou o resultado da pandemia do coronavírus sobre o setor no mês de março, quando as atividades foram praticamente paradas em consequência da quarentena, envolvendo mais de 315 mil empregos diretos, em 7,3 mil concessionárias.

O segmento de pneus também foi paralisado. Segundo a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip), o impacto na indústria de pneus é consequência da produção de veículos. No setor automobilístico a situação despertou o pânico, diz ele, e agora só resta esperar o retorno das atividades. Não há também, como fazer projeções para o futuro, apenas desejar que tudo se normalize o mais depressa possível.

Impacto é global

A Fiat Chrysler garantiu empregos pelo menos até meados de novembro, em negociação com os sindicatos. A pandemia do coronavírus já levou as operações na indústria automobilística a praticamente zero. Segundo o presidente da Fiat Chrysler na América Latina, Antônio Filosa, o impacto na indústria em âmbito global é muito grave, com produção praticamente zerada na maioria dos competidores.

No Brasil, as fábricas da empresa foram fechadas em 23 de março depois de um crescimento que vinha em ritmo acelerado de 6 ou 7%. De repente a pandemia forçou a paralisação de 100%. Também na Argentina operações caíram basicamente 100%. O único país que voltou normalidade foi a China.

Segundo ele, o grupo planeja monitorar a situação para reabrir as fábricas quando for possível e, se necessário, adiar novamente o retorno.

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Imagem: Pxhere

As necessárias medidas de quarentena claramente desaceleram o comércio e a produção industrial. O planejamento em Betim é de retomar a produção e enquanto isso ir monitorando a situação. A empresa espera que as ações tomadas possam dar resultado na curva da pandemia, para voltar às atividades assim que possível.

A Fiat Chrysler, além de garantir, em negociação com os sindicatos, a manutenção de todos os empregos até novembro e a possibilidade de flexibilização dos trabalhos,  também investiu na construção de hospitais de campanha e na produção de máscaras plásticas por meio das suas impressoras 3D, como forma de agir para ajudar a população local, considerando que tudo que é necessário para preservar a saúde do cidadão é prioridade.

Socorro financeiro ao setor automotivo

As montadoras de veículos do Brasil chegaram a um impasse nas negociações com bancos estatais e privados nas negociações sobre a ajuda ao setor em meio à epidemia do novo coronavírus. Isso aconteceu depois que as instituições financeiras exigiram garantias não apenas das subsidiárias locais, mas também de suas matrizes, para que o auxílio financeiro fosse efetuado.

Fontes do setor informaram às agências de notícias que as montadoras recusaram o pedido, o que levou ao atraso de qualquer decisão sobre os bilhões de reais solicitados pelas montadoras em suporte financeiro.

O Brasil é o país maior produtor de automóveis da América do Sul e suas operações estão entre as mais importantes da General Motors, Fiat Chrysler, Volkswagen e Ford. Essas empresas alegam que em virtude da paralisação de operações por conta da pandemia precisam de socorro para enfrentar a crise. 

As montadoras no Brasil alegam que precisam de empréstimos urgentes para manter a folha de pagamentos e manter em funcionamento o que descrevem como uma cadeia crucial de suprimentos, sem a qual não podem funcionar. Esse setor é muito preponderante no PIB brasileiro.

Por outro lado, os bancos preferem ajudar as montadoras indiretamente, financiando principalmente seus fornecedores e revendedores de automóveis, que empregam um grande número de trabalhadores. 

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Foto de Regina Di Ciommo

Mestre e Doutora em Sociologia pela UNESP, pesquisadora na área de Ecologia Humana e Antropologia, Desenvolvimento e Sustentabilidade Ambiental, foi professora em cursos superiores de Sociologia e Direito, nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Bahia.

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