dcsimg

Por que o celular ao volante é um perigo constante

Por que o celular ao volante é um perigo constanteHá algum tempo que vemos nos noticiários do Brasil e do mundo que os celulares estão entre as principais causas de acidentes por causarem a distração dos motoristas e ainda assim vemos que eles continuam a ser utilizados por quem está no volante.

O uso do celular se diversificou e o risco aumentou

Atualmente, o risco de acidentes se intensificou com o uso do celular ao volante em consequência da incrível ampliação das funções do aparelho. Se antes já existia o risco quando ele era apenas para contatos por voz, o que teoricamente pode ser realizado com apenas uma das mãos, agora ele exige as duas mãos, para digitar e segurar o aparelho e a visão, para que se olhe a tela. Nesse momento o motorista se distrai e perde o contato visual com o que o rodeia e o controle do veículo.

O Departamento de Trânsito dos Estados Unidos afirmou recentemente que o uso do celular ao volante aumenta em até 400% a probabilidade de acidente. Esse índice é maior do que o relacionado com a embriaguez.

Mesmo com esse nível de gravidade, muitos motoristas ainda não levam a serio os avisos e a legislação. Na verdade é difícil comprovar quando um acidente é provocado pelo celular, o que não acontece com o nível de álcool, que pode ser medido por um instrumento, através do exame específico.

Pesquisas médicas comprovam que basta dois segundos de distração ao volante, para digitar uma letra no celular, para causar um acidente com vítimas fatais. O motorista que ilusoriamente acredita na segurança e potência de seu veículo moderno, para livrá-lo de um acidente fatal, na verdade se engana, porque mesmo no modelo mais avançado de automóvel, existe o risco de sequelas graves em um acidente.

O condutor de um veículo precisa estar consciente de que o uso do celular ao volante elimina a sua segurança para dirigir. A decisão de colocar uma mensagem na rede social ou responder ao whatsap, que certamente pode esperar alguns minutos, tem grande chance de custar-lhe a vida ou a vida de outra pessoa.

Os médicos que trabalham nos centros de Ortopedia e Traumatologia testemunham a realidade de que, apesar de muitos ainda não acreditarem nas chances de acidentes acontecerem a si mesmos, os fatos mostram que não se pode usar o celular ao volante. A verdade é que, depois de acontecido um sinistro, desculpas não vão aliviar o sofrimento de ninguém.

Os especialistas em segurança no trânsito advertem para que os motoristas não caiam na tentação de olharem para as telas, na necessidade de conferir uma notificação. A melhor  coisa a se fazer é deixar o aparelho longe, desligado ou no silencioso. É inútil planejar o uso para quando um farol fecha ou o trânsito pára, isso pode confundir o motorista, que, apressado, acaba por tomar a decisão errada ao volante. 

Um segundo pode ser fatal

A impossibilidade de fazer duas coisas ao mesmo tempo, nesse caso ao volante, que exige 100% da atenção do motorista, é comprovada por estudos científicos realizados pela medicina, física e matemática. Esses estudos provaram que, falando ao telefone, não se tem competência ao volante. O professor Peixoto, da FEI (Fundação Educacional Inaciana de São Paulo) explica que uma pessoa ao volante de um veículo na estrada demora 2,5 segundos para reagir e frear ante um imprevisto. Isso se o carro estiver entre 80km/h a 100km/h. Leva-se 1,5s para visualizar o obstáculo e 1s para a reação. Nas vias públicas da cidade, o tempo de reação cai para 0,75s. Acontece que para digitar um algarismo no celular a pessoa leva 1s, duas letras, 2s, acessando as teclas, até olhar de novo para a rua e olhar de novo para as teclas. É fácil perceber que esse intervalo de tempo é o suficiente para uma colisão.

Mesmo que a intenção seja apenas de checar quem está ligando, o tempo para o motorista pegar o telefone no banco do passageiro e ler o número já seria de 4,5s, o que representa bem mais do que o necessário para uma reação diante de um obstáculo como um buraco na pista, uma criança ou um animal. É simplesmente cinco vezes maior do que o tempo para frear e evitar a colisão ou atropelamento, que podem ser fatais.

Por que o celular ao volante é um perigo constante

As multas não têm sido eficazes

Parece ser necessária uma campanha nacional para alertar a população para os riscos relacionados com o uso do celular ao volante, já que a multa atual no Brasil parece não estar servindo para desestimular os motoristas. Dirigir usando o celular é  infração está prevista no artigo 252 do Código de Trânsito, de gravidade média, punida com multa de R$ 85,13.

A frequência das multas vêm caindo. Em São Paulo,  por exemplo, a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) registrou um número de infrações maior em 2010 (473.153), que baixou em 2014 (382.803), numa queda de 20%. Essa queda parece não estar relacionada com o comportamento dos motoristas, mas com o afrouxamento das fiscalizações.

Usar o celular enquanto dirige foi a quarta infração mais flagrada no DF entre janeiro e julho deste ano. Em primeiro lugar, está o excesso de velocidade, em seguida, pela ordem, o avanço de sinal vermelho e a falta de cinto de segurança. 

O mesmo acontece no Rio de Janeiro, onde o número de infrações aplicadas em 2014 foi 27% menor do que em 2013 e 60% menor do que em 2010. O número menor de multas não significa uma diminuição do uso dos celulares. Muitos motoristas reconhecem que o utilizam quando estão dirigindo. O celular foi incorporado à vida dos brasileirs, não mais apenas na classe média e alta, mas também na classe baixa. O mercado de celulares brasileiro é o sexto maior do mundo, superado apenas pela China, Estados Unidos, India, Japão e Rússia.

As multas diminuíram, mas o uso dos smarthones ao volante continua se intensificando, com acessos a aplicativos, interação em redes sociais e até em digitação de mensagens. É a ansiedade de estar plugado o tempo todo, deixando de lado até mesmo uma regra básica de segurança e colocando em segundo plano a proteção da vida.

Comentários

Sem comentários. Seja o primeiro a responder!

Postar um comentário