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Caminhões e carros elétricos: quando chegam ao Brasil?

No dia 17 de novembro, a Tesla, em um evento em Los Angeles, revelou um novo caminhão elétrico, além de um modelo esportivo. Veja as razões para a demora da tecnologia em chegar ao Brasil.

A apresentação focalizou amplamente a economia e a performance que os motoristas de caminhão desejam. Segundo o diretor da Tesla, os caminhões a diesel agora estão com seus dias contados e comprar um novo é um “suicídio econômico”.

Imagem: Caminhão elétrico da Tesla. Foto: gq-magazine.co.uk

Segundo o CEO da Tesla, os carros elétricos vão acabar com os carros a gasolina. Dirigir um carro a gasolina, em breve, será como dirigir uma máquina a vapor, se tornará obsoleto. O detalhe é que, mesmo em seu país de origem, a Tesla não está com capacidade de atender a demanda por carros elétricos, tão grande é o número de encomendas.

Apesar de tanto entusiasmo, motoristas de caminhão formam um público muito diferente do proprietário habitual de um carro elétrico e resta ver se a novidade vai ser aceita facilmente. A fábrica Tesla está garantindo que o custo médio de manter um caminhão elétrico será 20% menor por quilômetro quando comparado com caminhões a diesel. Destaca que haverá aceleração mais rápida, melhor “performance” nas subidas, 800 km de autonomia, em velocidade máxima de estrada e um para-brisa à prova de explosão termonuclear (…)

Os equipamentos de segurança incluem piloto automático, tecnologia para manter a direção nas faixas, e o design é arrojado.

Imagem: Caminhão elétrico da Tesla. Foto: gq-magazine.co.uk

A Tesla afirma que será um “suicídio econômico” continuar a usar caminhões diesel, argumentando que a versão elétrica, se operada em comboio, será mais barata do que despachar mercadorias por via férrea.

A versão Tesla do novo Roadster também não é menos ambiciosa. O fabricante diz que a aceleração e velocidade do carro vão quebrar todos os recordes mundiais para carros esporte. A produção dos caminhões vai começar em 2019 e o novo carro esporte Roadster vai estar disponível em 2020.

Questões importantes para quem se interessar por um caminhão elétrico

Sabe-se muito pouco a respeito do novo utilitário elétrico Tesla, um caminhão de pequeno porte. Mas, para os que se sentiram entusiasmados com a novidade, é bom saber que existem questões importantes que a empresa ainda precisa responder.

Preço

O interior do utilitário elétrico Tesla possui um assento centralizado, com uma tela grande de cada lado do painel, que mostram as informações do veículo e as imagens das câmaras colocadas no lugar de retrovisores. Ele terá piloto automático e tecnologia para mante-lo na pista e evitar colisões. Não existe nada parecido no mercado hoje, mas falta ver o preço. A Tesla deu pequenos detalhes sobre as informações financeiras, durante o lançamento, mas não falou do preço final, que certamente será alto.

Enquanto o caminhão elétrico estiver com preços altos, o que é presumível, os caminhões a diesel continuarão a ser comprados e usados. Por enquanto, a economia com a compra de combustível ainda não será suficiente para que o diesel seja trocado pelos utilitários elétricos. Não está claro quanto tempo vai levar para que a situação se inverta e os elétricos superem os caminhões a diesel.

Manutenção

A manutenção é responsável por dez por cento do custo operacional de um caminhão médio, portanto, manter os custos baixos podem resultar em um economia significativa. Há muita especulação sobre se a Tesla vai ser capaz de economizar o dinheiro dos proprietários com uma combinação de combustível barato e baixo custo de manutenção. É possível que isso seja verdadeiro, pelo menos em um aspecto: desde que motores elétricos requerem muito menos manutenção, o dinheiro que é normalmente gasto na manutenção de motores diesel, agora poderá ser economizado.

Imagem: Painel do caminhão elétrico da Tesla. Foto: gq-magazine.co.uk

O outro lado da equação é como a Tesla iria administrar as necessidades de reparos e manutenção, porque ela trabalha com uma rede de atendimento para os seus carros e não permite que terceiros prestem esse serviço. Isso limitaria bastante a manutenção, porque os motoristas já têm suas oficinas de preferência, onde costumam encontrar as peças que procuram, buscando economia.

Recarga

Os caminhões a diesel costumam ser abastecidos muito rapidamente e tempo é algo precioso para a maioria dos motoristas. O caminhão elétrico vai precisar fazer o mesmo. A Tesla afirma que vai lançar uma rede de Megacarregadores no mundo inteiro, que deverão ser capazes de adicionar, em 30 minutos, aproximadamente 650 quilômetros de autonomia para o caminhão.

Esse é um tempo razoável para um motorista abastecer, enquanto ele descansa um pouco, mas muitos não vão estar sempre perto de um carregador desses, caso a rede de abastecimento não seja suficiente. Isso sem falar das condições das estradas brasileiras, em que distâncias enormes são atravessadas sem um único posto de serviços.

Postos de serviço vão oferecer os carregadores, mas, provavelmente vão ficar tão lotados, que poderá não ser possível encontrar um lugar para plugar e recarregar, principalmente se o caminhão for grande. Essas ineficiências e dificuldades de operação vão acrescentar tempo ao transporte, que muitas empresas de freta poderão não aceitar.

Recarga

“Gargalos” da produção

Apesar da confiança exibida pelo presidente da companhia, existem questões ainda não respondidas sobre a capacidade da companhia em fabricar os novos veículos. A Tesla iniciou a fabricação do seu sedan modelo popular, para o mercado, o Model 3, em julho deste ano. A lista de espera para a aquisição alcançou já a marca de mais de 500.000 consumidores.

No terceiro trimestre de 2017, a companhia produziu apenas 260 Model 3, muito abaixo dos 1.500 que havia sido prometido em agosto. A Tesla culpou os “gargalos” da produção para os atrasos, mas, recentemente a imprensa noticiou que os carros ainda estão sendo mais manufaturados do que automatizados em uma linha de produção.

O que atrasa a chegada dos carros elétricos ao Brasil

O que atrasa a chegada dos carros elétricos ao Brasil

Imagem : Recarga. Foto: Hofstra.edu

No Brasil, os problemas que existem com a infraestrutura para o transporte e a regulação para a produção e comércio, estão atrasando a chegada de novas tecnologias, de carros elétricos e veículos autônomos. Esse é a opinião do presidente da Mercedes-Benz do Brasil e CEO para a América Latina, Philipp Schiemer.

Segundo ele, os carros autônomos e elétricos serão o futuro da indústria automobilística. No mundo todo, essa mudança será gradual, mas no Brasil, o processo parece ser ainda mais complicado. Ele acredita que essa transformação, do carro a combustão para o elétrico, vai levar décadas.

O que atrasa a chegada dos carros elétricos ao Brasil

Na Europa e Estados Unidos, o carro elétrico já é uma realidade, mas não é o que acontece no Brasil. Num futuro próximo, o carro elétrico vai deter uma fatia cada vez maior do mercado global, mas esse desenvolvimento vai acontecer mais rapidamente nos países que apoiarem a novo tecnologia.

A necessária infraestrutura precisa estar disponível

Há países que já dão subsídios para a compra do carro elétrico, outros subsidiam a construção da infraestrutura necessária, já que ele exige equipamentos disponíveis para a recarga. Sem apoio oficial, fica difícil prever o futuro do carro no país.

É possível que em breve haja alguns pontos de recarga em algumas cidades, que deverão iniciar essa instalação em pelos menos alguns pontos. Até que estejam disponíveis na cidade inteira, o processo é demorado. Mas podem ser em alguns pontos bem planejados, iniciativas que vão aparecer nos próximos cinco anos.

De acordo com o CEO, a dificuldade que temos no Brasil com a infraestrutura afeta pesadamente as condições do transporte. Para os carros elétricos ou autônomos é necessário que existam rodovias em ótimo estado, com boa sinalização e condições de tráfego condizentes. As novas tecnologias exigem mais sensores e radares. E para que existam condições para a produção dos veículos tecnológicos é preciso que haja fornecedores dos equipamentos necessários, que trabalhem com um custo razoável.

A transição para o carro elétrico

A transição para o carro elétrico

Imagem: Aeva.asn.au

Essa é uma transição que vai acontecer, de qualquer forma, mais cedo ou mais tarde. É uma transição que já está acontecendo, como na Alemanha, em que está previsto que um milhão de carros elétricos serão vendidos até 2020. Só que no Brasil, há menos de três anos dessa data, ainda estamos longe desse objetivo. Entretanto, muitas fábricas estão investindo na proposta, entre elas a Mercedes Benz.

A transição no Brasil é afetada pela forma como as novas tecnologias demoram a chegar ao país, em virtude dos altos custos financeiros da produção no Brasil, principalmente elevados pelos altos impostos. As fábricas demoram a adotar tecnologias de ponta porque elas requerem um investimento elevado. Em outros países, o consumidor exige tecnologia avançada e não vai comprar um carro produzido no Brasil porque o preço é muito alto, não tem competitividade. Então, os investimentos são retidos no exterior, nas montadoras matrizes.

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