dcsimg

Compare as condições do seguro auto no Brasil e EUA

Informações sobre o mercado de seguros de carros nos Estados Unidos e Brasil contribuem de forma importante para quem quer entender melhor a indústria de seguros.

A instituição privada americana “Insurance Information Institute” divulgou algumas informações estatísticas atualizadas sobre o mercado de seguros de carros nos Estados Unidos. Essas informações existem para melhorar a compreensão do público sobre os seguros, entendendo para que servem e como funcionam. As informações da Insurance Information Institute, criada em 1959 e com sede em Nova York, são distribuídas para a mídia, governos, organizações, universidades e o público em geral.

Compare as condições do seguro auto no Brasil e EUA

São dados que, comparados com o mercado brasileiro de seguros de automóvel, contribuem de forma importante para uma análise sobre este crescente e complexo ramo da indústria de seguros, sendo essencial para quem quer entender mais sobre o assunto.

O mercado de seguros americano e o brasileiro

Nos Estados Unidos, o mercado de seguros em geral e o de automóveis, em particular, é muito maior do que o brasileiro. No ano de 2010, as seguradoras americanas faturaram US$ 160 bilhões, enquanto que no Brasil o movimento de prêmios foi de US$ 13,1 bilhão. Os americanos buscam o seguro para ter a proteção de indenizar terceiros. Os brasileiros visam repor a perda do veículo próprio.

Compare as condições do seguro auto no Brasil e EUA

Imagem: Catraca

No mercado brasileiro a cobertura é para o próprio veículo

Os americanos destinaram US$ 62,6 bilhões para perdas com seus próprios veículos e US$ 97,7 bilhões para a cobertura relacionada com a responsabilidade civil, que indeniza os prejuízos causados pelo segurado. No Brasil, a proporção se inverte. Foram US$ 10,6 bilhões para o veículo segurado e US$ 2,5 bilhões para terceiros, prejudicados pelo segurado.

É de se salientar que o contexto brasileiro difere essencialmente do americano, em razão da violência, que altera o cotidiano dos brasileiros. De acordo com a Confederação Nacional de Seguros – CNSeg, no ano de 2015, o índice de roubos chegou a ser 57 veículos por hora no Brasil, totalizando 1.368 carros por dia. Portanto, o seguro de automóveis no Brasil é destinado essencialmente ao próprio veículo para enfrentar um eventual roubo e não apenas pensando no custo de um acidente.

No mercado brasileiro a cobertura é para o próprio veículo

Seguros para danos a terceiros

Com a retomada das vendas de carros no Brasil e com um aumento da consciência sobre o risco que se assume no trânsito e nas estradas, é de se esperar que haja um aumento na compra de seguros com responsabilidade civil e com cobertura mais alta, que possa cobrir os custos reais de reposição de perdas ocasionadas a terceiros.

O Brasil ainda representa 8% do mercado americano, mas a proporção dos seguros comprados com responsabilidade civil para danos a terceiros é relativamente pequena, apenas 3%. O seguro do próprio veículo é de 17%.

Indenização no Brasil para sinistros por colisão é maior

Analisando as colisões com veículos segurados, em 2010, no Brasil a proporção foi de 7,2%, enquanto que nos EUA a proporção foi menor, de 5,7%. O valor da indenização média paga no Brasil, por sinistros de colisão, é maior do que a americana, chegando a US$ 3.381, enquanto que nos EUA a média é de US4 2.776. Especialistas explicam essa diferença como sendo relacionada a impostos mais altos no Brasil, fatores cambiais e uma preocupação maior dos brasileiros com as condições do seu veículo.

No Brasil, 10 maiores seguradoras detém 93% do mercado

A concentração do mercado entre as maiores seguradoras também mostra distinções. Em 2010, as dez maiores seguradoras americanas detinham 68% da receita de todo o mercado de seguros de automóveis. No Brasil, nesse período, a receita das 10 maiores foi de 93%.

Entre as cinco maiores seguradoras brasileiras, o Seguro Bradesco é ligado ao terceiro maior banco do país. Depois de 2010, a seguradora Porto Seguro, a maior do país em termos de seguro de carros, se associou ao Banco Itaú, que é o maior banco privado brasileiro. A seguradora espanhola Mapfre hoje esta associada em parceria com o Banco do Brasil, o maior banco do país. A SulAmérica e a Liberty são seguradoras independentes e estão entre as cinco maiores brasileiras.

Tamanho do mercado de automóveis – faz a diferença

O mercado de automóveis brasileiro possuía, até 2014, um total aproximado de 45,4 milhões de veículos. Esse é um dado muito importante para se comparar a diferença entre o mercado de seguros do Brasil e o dos EUA. Os números não são exatos, porque não há estatísticas atualizadas, em razão de não se conhecer exatamente quantos veículos deixaram de circular, por roubo e desmanche, acidentes ou envelhecimento. O setor de seguros estima que apenas 10% desses veículos contem com alguma forma de proteção de seguro.

Pátio de revendedora, Brasil.

Imagem: Pátio de revendedora, Brasil.

Nos Estados Unidos, considerando-se carros e utilitários, excluídos os ônibus, caminhões e motos, existem cerca de 125 milhões de veículos, segundo dados de 2011, do Banco Mundial. A proporção é de um carro para cada 2,4 pessoas. No Brasil, são 4,4 habitantes para cada automóvel de uso individual.

Nos Estados Unidos, somente em 2016 foram emplacados 17,5 milhões de veículos. No país, 100% dos veículos conta com pelo menos uma apólice de seguro de responsabilidade civil, cuja indenização é de US$ 50.000, no mínimo. Nenhum carro fica sem cobertura de seguro.

Rodovia nos Estados Unidos.

Imagem: Rodovia nos Estados Unidos.

A motivação para contratar um seguro vai além do receio de que aconteça alguma coisa com o carro ou com terceiros, trata-se de uma questão cultural. O conceito é de que, quando se circula pelas ruas ou quando se retira um carro zero de uma revendedora, não se pode correr o risco de ferir alguém ou atingir a propriedade alheia sem ter pelo menos a apólice de responsabilidade civil. Em muitos estados, essa é uma exigência prevista pela lei e esse é o seguro obrigatório no estado da Florida, por exemplo.

seguro obrigatório no estado da Florida

Portanto, os seguros básicos são o PIP, para cobrir as despesas médicas do proprietário e o PD, para cobrir os danos de terceiros e nenhum dos dois cobre os danos do carro do proprietário. Isto porque se protege o bem do terceiro, que foi vítima de um acidente e o sistema evita que o causador do acidente traga prejuízos ao estado, usando hospitais sem ter plano de saúde.

Além disso, se o causador de um acidente não tiver o seguro e não tiver condições de indenizar o prejuízo que causou, simplesmente irá para a cadeia, pois a falta de dinheiro não é considerada justificativa para não pagar a indenização.

Com relação a carros alugados, o seguro também é indispensável. Ali, o seguro vendido juntamente com o aluguel do veículo não é uma estratégia para as locadoras ganharem um dinheiro a mais. A locação é vendida em um pacote, juntamente com o seguro, para exatamente não correrem o risco de terem problemas caso ocorra algum acidente, envolvendo o carro alugado.

Esse sistema rigoroso a respeito da responsabilização dos motoristas quanto aos prejuízos causados em um acidente, pode parecer aos brasileiros um tanto autoritário ou exagerado, mas traz muitas vantagens. A vigilância no trânsito das cidades e nas estradas é também muito eficaz. São condições que levam a baixa frequência de sinistros e são poucos os que compram seguro contra roubo, pelas razões óbvias relativas à diferença quanto às questões sociais e de violência que existem no Brasil.

Leia mais artigos sobre:

Comentários

Sem comentários. Seja o primeiro a responder!

Postar um comentário